Palhaços ou humoristas?

Segunda-feira é dia de “É tudo Improviso”, no ar há duas semanas pela Band.

Para quem ainda não assistiu, o programa exibe jogos de improviso com o comando de Márcio Ballas.

Ballas foi meu perfilado no Trabalho de Conclusão de Curso, como já comentado aqui e confesso que fiquei curiosa para vê-lo como apresentador.

Ouvi muita gente dizendo que a novidade não passa de uma cópia do Quinta Categoria ou um rascunho do Jogando no Quintal…então vou resumir um pouco do que aprendi nesse ano de estudos sobre palhaço.

Ballas cursou Publicidade, Propaganda e Marketing na ESPM, onde reencontrou o amigo de infância, Dan Stulbach.

Stulbach dirigia o grupo de teatro da faculdade e certa vez, na falta de um ator para a montagem da peça, chamou Ballas para substituí-lo. Depois da experiência, juntaram-se a mais dois amigos e formaram o grupo Tela Viva, representando pequenas peças de humor criadas para homenagear pessoas anônimas em festas e eventos.

Em um anúncio de revista, Ballas viu um workshop de clown (palhaço) e, por curiosidade, o fez. Depois desse primeiro contato, passou a pesquisar melhor esse universo e chegou a porta de Wellington Nogueira, fundador dos Doutores da Alegria.

Nogueira explicou que não davam cursos e não contratavam palhaços sem formação artística. Mas deu a dica: a Ong brasileira baseou-se na americana, Big Apple Circus Clown Care Unit, em Nova Iorque. Ballas então, partiu rumo à terra do Tio Sam.

Por lá fez alguns workshops e descobriu que a escola de formação de palhaços estava na França. Três anos depois, encerrava o cursos de Teatro Físico com ênfase em Clown, na escola de Jacques Lecoq, em Paris.

Ballas continuou os estudos de clown, batizou seu palhaço como João Grandão e pouco tempo depois passou a participar da Ong Palhaços sem Fronteiras, visitando crianças em zonas de conflito como Madagascar e o campo de refugiados da guerra do Kôsovo.

De volta ao Brasil, retornou aos Doutores da Alegria e começou seu trabalho com crianças em hospitais brasileiros. Lá, conheceu César Gouvêa – o palhaço Cízar Parker e fundou o Jogando no Quintal, um jogo de improviso com palhaços. O Jogando no Quintal cresceu e passou a produzir outras peças teatrais com base no improviso e a oferecer cursos na área. O jogo de improviso no Brasil até então era pouco conhecido. Por esse motivo, ele foi convidado para se tornar o treinador dos Improváveis, jogando junto aos Barbixas que, pouco tempo depois, passaram a jogar com Marcos Mion no programa de improviso Quinta Categoria, exibido pela MTV.

No ano passado, o Jogando no Quintal foi convidado para ter um quadro dentro do Programa Novo, na Rede Cultura. E agora, Márcio Ballas apresenta o É tudo Improviso, programa criado para cobrir as férias do CQC.

Quem assistiu e já conhecia seu trabalho, pôde reparar que há uma grande mistura de toda sua trajetória. Márcio Ballas apresenta o programa como João Grandão liderava o Jogando no Quintal. A bandinha de palhaços tocando ao vivo foi substituída por uma banda de “caras limpas”. Os Barbixas seguiram o mestre. Assim como Marco Gonçalves, o palhaço Fonseca. As Olívias trouxeram feminilidade à mistura e o improviso tornou-se popular.

Eu gostei do que vi. O público gostou do que viu. E já há rumores de que o programa se torne parte da grade.

Mas…qual a diferença entre um jogo de improvisação com palhaços e um jogo de improvisação com humoristas? Apenas a ausência da maquiagem? Em um dos encontros com Ballas fiz essa pergunta, veja só o que ele me respondeu:

“Eu acho que a diferença do trabalho do palhaço é que ele ri dele mesmo e o humorista trabalha com humor. Mas existem dois tipos de humor, eu acho que eles são diferentes: um que ri de si mesmo e tem a ver com o palhaço e o outro que você ri das coisas, ri das situações. O palhaço ri muito dele, ele tá sempre na situação, ele se coloca, ele se mostra, ele pode até brincar com o público mas ele tá sempre de igual pra igual, com olho no olho, ele se coloca muito, ele coloca os defeitos dele, ele coloca qualidades, ele conta a história dele,então tem muito a ver com humor pessoal…”

Preferem os palhaços ou os humoristas?

Obs. A única coisa que deixou a desejar foi a banda Pára-quedas. Ainda prefiro a banda de palhaços.

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