Risadaria

A comicidade já foi tema de estudo de inúmeros filósofos. Mas foi Henri Bergson que se propôs a estudar o que causaria o riso, não se prendendo apenas ao que era engraçado. Meu primeiro contato com ele foi num curso de clown que fiz com Bete Dorgam. Para começarmos a palhaçada era preciso que se entendesse quais as características embasam a comédia. E Bergson fez isso com maestria.

Logo no início de seu livro, entitulado “O Riso”, ele apresenta 3 pontos a serem pensados. O que mais me chamou a atenção é o que diz que para algo ser engraçado é necessário que não nos cause qualquer emoção. É preciso que nos ponhamos indiferentes diante da situação para poder rir dela. Bergman afirma que quando olhamos friamente, somos capazes de transformar muitos dramas em comédia, e completa:

“Portanto, para produzir efeito pleno, a comicidade exige enfim algo como uma anestesia momentânea do coração. Ela se dirige à inteligência pura.”

Isso explica o motivo de tanta gente usar o riso como defesa em um momento em que as emoções podem nos machucar.

Há alguns anos, ouvi Marisa Orth dizendo que para “achar graça” é preciso saber escondê-la. E esse seria o grande desafio dos humoristas: esconder muito bem a graça para que o público se sinta agraciado de encontrá-la.

Para homenagear esses seres ridículos (do latim ridículus – aquele que provoca riso ou escárnio) que escondem muito bem a emoção para nos proporcionar um belo encontro com o humor, São Paulo receberá o primeiro festival sobre o riso do país, o Risadaria.

Os responsáveis pela curadoria do evento, que buscou misturar comediantes de diversas vertentes desde o início do projeto, são: Marcelo Madureira, Marcelo Tas, Caco Galhardo, Paulo Bonfá, Wellington Nogueira e Diogo Portugal.

O Risadaria acontecerá nos dias 19, 20 e 21 de março, na Bienal do Ibirapuera. Quem for, certamente me encontrará por lá.

E para aproveitar o ensejo, devo dizer que os Doutores da Alegria abriram processo de seleção de números de palhaços para participarem do espetáculo “Midnight Clows”, já comentado aqui. Se você possui licença profissional para usar o nariz vermelho, clique aqui.

Por fim: quem ainda não assistiu ao documentário “Doutores da Alegria – o filme”, sugiro que o faça antes mesmo de comprar ingresso para o festival. O filme mostra de uma maneira simples e poética a função social do riso. Vale cada segundo vivido.

obs.1 – parte da renda arrecadada com o evento será revertida para a ONG Doutores da Alegria.

obs.2 – O ingresso para circular pelo evento (o que não inclui acesso às peças) custa R$30 (inteira) e pode ser comprado na internet, através do site Livepass.

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1 comentário

  1. Gosto de dizer que estou a serviço da comédia cotidiana. Criei um senso de comédia que não difere muito do que você colocou aqui (mesmo citando os “grandes”). Acho que sou melhor com a comédia do que supunha.

    A vida é um biscoito!

    Bjo, Dourado!

    Curtir

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