Poesia vende sim!

Ontem foi dia nacional da poesia. Deixei passar em branco, eu sei. Mas quem nunca parabenizou apenas no dia seguinte, alegando que o que importava era a intenção?  Me apego nesse argumento para comentar sobre o assunto.

Um dos filmes que melhor me explicou sobre poesia antes mesmo de eu saber o que era uma, foi “O carteiro e o poeta”, com Pablo Neruda. A história é simples: um carteiro apaixonado pede ajuda de Neruda para conquistar Beatrice (ou Beatriz) através de poesias. O poeta passa a explicar o poder da palavra em um diálogo encantador.

O nome da mulher por quem o carteiro é apaixonado faz referência à “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. A obra é um poema que narra a história de um homem que viaja pelo Inferno e Purgatório sendo guiado pelo poeta romano Virgílio e quando chega ao Paraíso, passa a ser guiado por Beatriz, musa real de Dante, ao sétimo céu.

E é por isso que Chico Buarque e Edú Lobo também usaram o amor de Dante como inspiração quando compuseram “Beatriz”, no trabalho “O Grande Circo Místico”.  À eles, minha eterna gratidão pela música, pois graças a ela carrego comigo esse mesmo nome.

É poesia que inspira filme, que inspira música e que inspira nomes. Do erudito à vida real, toda essa história de poesia fica disfarçada no cotidiano, deixando nossa vida um pouco mais significativa.

Em fevereiro, uma das minhas poetisas prediletas da atualidade, publicou em seu blog:

“Mas estou tão cansada de escutar que poesia não vende com o meu original tão bonito debaixo do braço. E eu só preciso dizer agora: POESIA VENDE SIM! EU COMPRO! E que diga o mesmo quem concorda comigo”.

Como eu poderia não concordar? Seu nome é Marla de Queiroz e o primeiro texto que li dela, foi esse aqui:

não tenho tempo a perder por favor quando chegar esteja inteiro ocupe espaço e seja pleno me impeça de pensar no amanhã e em outras tarefas suspensas me traga pro agora daquele momento onde você mora me faça esquecer o cansaço me traga um abraço me fale de coisas que há tempos não nos permitimos fazer e me convença a transgredir a hora de dormir como boa-moça que nunca fui e estou me dê um porre acenda todos os meus cigarros e me ache bonita me fale sobre as gostosuras da vida esqueça os pronomes começando as frases que nos despejamos quando entusiasmados e cheios de assunto depois se cale e me ponha a dançar me faça chorar me lembrando que estou pura razão me incentive a querer mudar me relembre essa dádiva de cama-leoa me ajude a fazer as malas me tire de casa me convença a trancar a porta por fora me mande embora dessa covardia me traga de volta praquele meu sonho bonito.
Me traga: de novo fumaça, etérea, no espaço, sonora… de novo tão livre, tão solta.

E faça amor comigo sem pressa.Com todas as vírgulas que ignoramos.
*
*
Marla de Queiroz

Achei tão sincero que passou a soar poético. Corri para vasculhar o blog inteiro e fiz da minha madrugada de insônia uma bela descoberta.

Quer fazer o mesmo? Clica aqui.

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