A vã filosofia

Há um tempo, em uma conversa pós-almoço, eis que surge o Pequeno Príncipe, assim, despretensiosamente. Coisa de miss – eu disse.

Ele concordou. Não demorou para a conversa cair na filosofia e em uma briga sem lógica de razão contra emoção. Não que fôssemos chegar a uma conclusão, sequer a um consenso. O que valia era o meio do caminho.

Lembrei que o livro que mais gostei sobre o assunto foi “O pequeno tratado das grandes virtudes” de Augusto Comte-Sponville e, ao voltar para a minha mesa de trabalho ganhei de presente uma palestra de Clovis Barros Filho, para brindar a nova amizade.

Demorei alguns meses para ouvir. Nesse meio-tempo, comecei a ler “Trem noturno para Lisboa”, de Pascal Mercier (pseudônimo do filósofo suíço Peter Bieri). Um livro intenso, que conta a história de um personagem em busca de si mesmo, em uma viagem pela Europa. Sua vida muda radicalmente sem nenhum planejamento e, a partir daí, toda cena cotidiana convida a uma reflexão filosófica sobre a vida, a morte, os medos e aflições, a solidão e, principalmente, a essência da alma.

Um livro que te abraça e te estapeia. Chacoalha os pensamentos, bagunça os sentimentos e faz com que você queira sair por aí quebrando os limites da própria vida.

E em meio a esse furor de sensações, decidi que deveria ouvir a tal palestra. Pela primeira vez ouvi Clóvis, que logo de início dividiu os assuntos abordados pela filosofia atual em três: conhecimento, estética e moral. Essa última é o tema da conversa.

“Não há virtude se uma força externa deliberar sua conduta” – diz Clóvis, pouco antes de citar Comte. Para a minha alegria, foi Comte que me fez entender a frase de Clóvis, quando escreveu:

“O que é uma virtude? É uma força que age, ou que pode agir. Assim a virtude de uma planta ou de um remédio, que é tratar, de uma faca, que é cortar ou de um homem, que é querer e agir humanamente”

Querer e agir humanamente: é isso que Gregorius, personagem de Mercier, busca em sua viagem para Lisboa.  A certa altura, para justificar sua viagem em carta a um amigo, diz:

“Porque de uma vida apenas, uma única, dispõe o homem. E se para ti esta já quase se esgotou, nela não soubeste ter por ti respeito, tendo agido como se a tua felicidade fosse a dos outros… aqueles, porém, que não atendem com atenção os impulsos da própria alma são necessariamente infelizes”

E, por alguns segundos, alma, moral, virtudes, liberdade e felicidade se confundem. A aparente bagunça pode trazer bons momentos, garanto.

Quer valer?

A palestra

Se você espera uma palestra densa e cansativa, nem clique. Clóvis é leve e divertido do início ao fim.

Guardei nessa estante (é só baixar): http://www.sendspace.com/file/f7o9jm

O livroTrem Noturno para Lisboa

“Mas o que significa conhecer outra pessoa, compreender outra vida? O que significa para o conhecimento de nós mesmos? É possível fugir da rotina?”

Curiosidade:o sucesso do livro fez seu título virar uma expressão que significa “mudar radicalmente de vida”

Um amigo me perguntou: “você não tem medo de acabar de ler esse livro e não conseguir mais falar com as pessoas normalmente?” Tenho! Se você quiser saber o que é isso, o caminho é esse: http://ebookbrowse.com/search/trem-noturno-para-lisboa

O outro livro O pequeno tratado das grandes virtudes

18 virtudes que aumentam a estima moral pelo ser humano – tá aqui o caminho: http://fernandonogueiracosta.files.wordpress.com/2010/06/pequeno-tratado-das-grandes-virtudes1.pdf

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2 comentários

  1. Hum…. Parece que ta na hora de vc ganhar de presente os 2 fragmentos que compoe o ciclo de 3 atos sobre a vida eudaimonica do prof Clovis…

    Sinto uma inquietude ainda um pouco tremula, pulsante inclinacao a romper com o torpor da rotina…

    Jantar hj na Recoleta?

    Curtir

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