Amazônia Sociedade Anônima

Trilha sonora do post:

Há um ano estive na Amazônia. Foi uma das viagens mais incríveis que já fiz.

Fiquei em um hotel de selva em que, para chegar, foi preciso jeep e canoa – depois do avião, claro. Vi o encontro das águas dos Rios Negro e Solimões (achei que seria sem graaaça esse passeio…mas não é, é lindo!). Nadei com botos-cor-de-rosa. Saí de canoa à noite, em meio à escuridão, só para observar os jacarés. Conheci a maior folha de árvore do mundo.

Também vi a maior Vitória Régia da minha vida. E, no caminho para um restaurante, paramos com a canoa em uma plataforma flutuante, pertencente a uma família ribeirinha, que passa o dia expondo seus animais de estimação aos turistas: um jacaré, uma jibóia e um bicho-preguiça.

Escrevendo isso agora, dá pra notar que eu não fazia ideia do perigo. Vou chamar isso de inocência seletiva. Eu estava debaixo de um sol de quarenta graus, segurando no colo um bicho-preguiça, entre uma jacaré e uma cobra, em cima de uma plataforma minúscula que se movimentava o tempo inteiro com o andar dos turistas, no meio do Rio Amazonas. Sobrevivi pra dizer que foi MUITO MARAVILHOSO!

Mas um dos momentos mais marcantes foi ter ido a uma tribo assistir algumas danças de rituais feitos pelos índios. No final, o Cacique me tirou para dançar. Sim, o CA-CI-QUE. E daí que ele era um senhor pelado e sem dentes? Gente, ele é o Cacique, beleza?

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Eu sei que aquilo é pra turista ver, mas mesmo assim, é difícil não ter orgulho de ser brasileiro. Também é difícil não ter vergonha do que está acontecendo aos nossos índios. Quanto conhecimento nós estamos jogando fora diariamente com a floresta e seus moradores?

Esse negócio de vida sustentável, preservação dos recursos naturais, vida em comunidade…é o futuro? Tem certeza? Porque nossos índios fazem isso há anos e nós não damos a mínima.

Os brasileiros não conhecem a Amazônia. Em todo o hotel, havia apenas mais uma família brasileira. Todos os outros chalés eram ocupados por estrangeiros. A primeira vez que me senti cosmopolita, foi lá. No meio do rio Negro.

Ali o caboclo e gente sem estudo superior completo é poliglota e viajou o mundo. Conheci uma pessoa que trabalhava como guia turístico e me contou histórias incríveis de como aprendeu francês na Guiana Francesa e alemão no Sul do Brasil. Depois disso casou-se com uma turista inglesa e morou por um tempo em Londres, onde aprendeu o inglês. De volta ao Brasil, a convivência diária com os índios, ensinou alguns novos dialetos. Ele completava a equipe de guias que incluía também um índio que falava japonês.

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Tudo bem, a Amazônia vai estragar a sua chapinha. Vai derreter a maquiagem também. Não é possível carregar uma Louis Vuitton em uma canoa. E o salto pode atrapalhar na hora de atravessar uma ponte em uma ripa fina de madeira. Tem coisas, além do preço, que impedem o turismo de menos aventureiros. Eu entendo.

Por isso acho que alguns projetos e documentários merecem ainda mais a nossa atenção. A gente não pode ignorar nossa riqueza e focar apenas em nossos problemas. Olha só que legal esse documentário da Pindorama Filmes:

  • O rio Amazonas é a maior bacia hidrográfica do mundo
  • A maior biomassa florestal do planeta
  • A maior concentração de biodiversidade da Terra
  • O território Amazônico corresponde a mais da metade do Brasil

Esse é só o primeiro de 4 episódios, mas a quantidade de documentários sobre a floresta é proporcional ao seu tamanho. Me ajudou bastante a entender melhor o que eu iria viver, antes da viagem.

Foi lá Amazônia que descobri o meu time de futebol. Digo, o time que escolhi torcer e que acompanho através de atualizações no Facebook. Com vocês, Gavião Kyikatejê Futebol Clube.

Se você está planejando ir para lá, eis algumas dicas práticas:

1) Nem adianta chamar seu Off de repelente. Compre o Exposis Extreme, repelente do exército francês. Foi ele que me fez voltar para casa sem nenhuma picada. Comprei as duas versões: um para pele e outro para tecidos, tudo em farmácia online.

2) Geralmente os passeios de hotel são bem caros e curtos. Para fazer um pacote de passeios e economizar, contrate por fora. Quem me levou foi a Amazon Backpackers.

3) Não se esqueça de tomar a vacina contra a Febre Amarela ( contra Hepatite B e Tifo também são bem-vindas) no mínimo 10 dias antes da viagem.

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