Sobre Dubsmash e Jardim Secreto

A moda começou no jardim de infância: toda festa tinha seu pula-pula inflável. Me lembro de olhar para aquela arena de lona, com as bordas em formato de castelo de desenho animado e achar tudo tão lindo, leve e colorido.

Eu tinha que participar daquela alegria. Eu tinha que pular e pular e pular como se não houvesse amanhã. Fui visivelmente influenciada por aquelas crianças que sorriam por pularem sem motivo algum. Eu, uma criança de balanço, pronta para esbanjar atitude…não sobrevivi cinco minutos naquele inferno.

Quando você chega mais perto, nota que as crianças não pulam quietinhas, normalmente elas gritam. Onde há uma criança gritando, todas as outras querem estar para experimentar essa sensação de liberdade tão rara na infância.

Por esse gritos todos, ninguém me ouviu pedindo ajuda quando fui arremessada para o canto, esmagada entre o chão e a parede. Uma decepção só. E depois de escalar as montanhas de vento em busca da porta de saída medieval, vi que o que eu mais gostava do pula-pula era o lado de fora.

Esse sentimento foi retomado faz algumas semanas, quando a minha timeline foi invadida por vídeos do Dubsmash (se você ainda não sabe, esse é o nome de um aplicativo em que você faz vídeos dublando músicas ou personagens).

Explico. Não tenho a menor aptidão para dublar ninguém ( mas se me dessem vídeos de animais para dublar, eu ia amar). O que eu gosto é de assistir.

E pode até não ser tão engraçado assim, mas é uma delícia ver adultos ganharem uma licença poética para brincar todos os dias. A gente tem tanta obrigação chata na vida que quando há uma diversão optativa, acaba nem vendo sentido em fazer por fazer. Gente, lembrem-se que isso é brincar. E é bom pra caramba!

Eu poderia citar um monte de pesquisas realizadas por britânicos que comprovam o quão bom é para o cérebro, para a criatividade e até mesmo para a sociabilidade. Mas eu espero, profundamente, que você não tenha se tornado esse tipo de adulto que precisa de provas para decidir se quer ser feliz ou não.

E quer notícia melhor do que o tal livro de colorir para adultos estar no topo das vendas?

Dizem que alivia angústias e desestressa. Ando, inclusive, procurando por crianças angustiadas que colorem para dissolver os sentimentos perturbadores da infância.

A gente colore para sentir o cheiro da madeira do lápis de cor. Para prestar atenção em como a nossa mão dança enquanto colore o branco. Para misturar tons pela primeira vez e descobrir o que mais agrada. A gente colore para brincar ué.

Se é solitário? Talvez. Mas vamos passar a vida inteira correndo da solidão ou aprender brincando que ela pode ser bonita?

É a vitória do balanço. E do pula-pula. E que viva o brincante que há em cada um de nós!

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