Para Liz, com amor

Tem gente que faz retiros em meio a montanha e fica por dias em silêncio. Tem aqueles que buscam a floresta para experimentar o chá de Ayahuasca. Tem também os que percorrem todo o caminho de Santiago de Compostela. Há ainda quem acorde cedo e medite, diariamente.
Eu gerei uma vida e pari. Foi assim que enfrentei meus demônios, dizimei meus medos. Mês a mês, meu corpo me transformou. Chorei. Amei. Abri mão. Agradeci.
Eu me senti sozinha. Eu engordei e me vi bonita. Eu repensei meus preconceitos para não te levar a caminhos que não foram suas escolhas, filha. Você rompeu meus dias de silêncio e dançamos por horas, celebrando a chegada de sua chegada.
Era a primeira manhã de neve quando sentimos a mesma dor, juntas. Gritamos e espantamos todas as bruxas. Ficamos só nós, anjos e fadas. Conosco ninguém podosco, madame.
Nos colocamos em um mesmo espaço, nos encaramos face a face por madrugadas a dentro. E de repente um clarão: eu, que já fiquei acordada tantas noites por medo de prova da escola, por trabalhar demais, por levar um pé na bunda…te agradeço por tirar o meu sono, com toda nobreza de causa.

Filha, é uma delícia me encontrar no seu berço. Te encontrar nos meus braços.

Que nosso cordão seja infindo. Amém.

Obs. Você nasceu, mas nunca sairá de dentro de mim. Não esquece.

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