Sexta poesia

Toda sexta-feira, ofereço poemas, poesias, crônicas ou uma pequena dose literária para resgatar nossa alma de tanta realidade. Hoje é a vez de Fernanda Young, em “A mão esquerda de Vênus”.

Eu bordo o labirinto quente das minhas veias.
Repito as palavras como mantras, nas voltas que agulha faz.
Por vezes me furo e não o pano, gosto de levar esse susto.
É a digital de sangue que deixo ali:
minhas lágrimas, cervejas, rompantes.
Se me revelo expondo as fraquezas, confusão, raiva, não me constranjo.
Há muito cansei de
Desculpar-me.
Sou essa, e aceito não ser querida.
Se me arrependo de algo,
Digo aqui e bordarei:
Foi ter saído de mim,
Para deixar alguns entrarem.

Fernanda Young

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