MBA Materno

Os cinco meses de gestação estavam por se completar quando eu entrei em pânico. Por algum motivo, queria desfazer o feito. Nada contra o bebê, eu só não queria ser mãe. Achei que eu não daria conta de finalizar a faculdade, engordar, parir, amamentar, emagrecer, cuidar da casa, ser esposa, trabalhar e ter amor próprio, enquanto crio um outro ser humano inteirinho.

Eu estava certa, não dei conta mesmo. Mas eu não sabia que não precisava dar conta. Então segui a caminho da consulta ao obstetra, chutando a sombra. Dr. Gerry Agnew tinha a sala de espera cheia de casais que se entreolhavam em um carrossel de amor. Esposas que falavam baixinho e então os maridos levantavam de supetão, para buscar água para toda a família que habitava um único ser humano.

Pensando em fugir, vi que não teria escapatória. E essa frase se repete até hoje, quando penso no meu cotidiano, e é justamente por ela que eu entendo que enfrentar a maternidade não me transformou só de amores. Nem só de dores. Mas eu virei tipo uma fucking ceo de qualquer coisa que apareça pela frente, porque amigos, quando não tem escapatória, a gente joga pro peito, marca gol e pede música no Fantástico.

É comum me ver preparando o almoço enquanto anoto lista de compras e pergunto sobre a escola, administrando as emoções dos conflitos do jardim de infância. A criança atirou o prato de comida no chão? Sem problemas, enquanto limpo, sou firme e doce explicando o ocorrido. O interfone toca e eu assino o condomínio enquanto espio a criança se engasgar com o suco. Não foi nada. Vem cá que eu vou te dar banho enquanto marco o ortopedista. Enquanto marco o dentista. Enquanto marco a pediatra. Enquanto marco meu analista.

Se isso não me der a maior habilidade multitask do planeta, nada dará. Antes da maternidade, só me orgulhava de ler três telas simultâneas…tsc tsc tsc

Habilidades antes ignoradas também foram aperfeiçoadas, como: manter a calma e paciência diante de um choro intermitente, para que a semana continue nos eixos. Praticamente um treinamento para evacuar um prédio salvando a todos, com uma sirene em volume máximo dentro do cérebro.

Quando a criança tira a soneca da tarde, devo me orgulhar da otimização máxima do tempo, algo que eu desperdiçava sem dó. Hoje sou capaz de tomar banho, secar cabelo, fazer máscara facial, tomar vinho, comer chocolates, assistir uma série e ler três páginas de uma livro em uma hora e trinta e sete minutos que chamo de “spa do bom humor”, a minha happy hour.

Enquanto escrevo, a máquina lava roupas pretas, tomo meu café da manhã e respondo Whatsapp de ontem à noite. Talvez eu consiga melhorar esse aproveitamento, hein? Já sei. Vou atualizar o LinkedIn.

 

 

 

 

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