Solidão, que nada.

Vem cá, puxa a cadeira e pega o café, vamos conversar. Já ouviu falar em solidão materna? É natural que ela aconteça quando estamos envoltas em decisões por nós e pelos outros seres humanos que, bem gostam de repetir, dependem totalmente da gente.

Mas não estou aqui para falar sobre ela, essa você já conhece. Estou aqui para lembrar que quando a criança enfrenta a escola, ela se sente sozinha. Quando o adolescente enfrenta o bullying, ele se sente sozinho. Quando estamos cercados de pessoas em um escritório, ocupados com reuniões e paramos para um cafézinho: pá, nos sentimos sozinhos. Na volta pra casa, com aquele trânsito sem fim. No silêncio da sala vazia, depois que os filhos já abandonaram o ninho. Vai ter solidão sim. Vai ter muita solidão, a vida inteira, se tivermos a sorte de uma vida inteira.

Sabe, eu tive muito medo que algum acidente me acontecesse enquanto eu estivesse só, com uma criança de três anos. Quando de fato aconteceu, eu tinha visita, e tudo se ajeitou. Vê? a vida se encarrega do encaixe.

Estar só não pode ser dor. Tem que ser potência. E não falo sobre instalar botões de emergência pela casa toda. Falo sobre solitute. Aquela elegância que habita à solidão.

Aquele bom hábito de ler um livro com prazer, em silêncio. Ouvir uma sinfonia completa, de pijamas, com uma taça de vinho. Cozinhar para si. Decorar os poemas favoritos. Encher a casa de flores.

A solitude transforma a clausura da solidão em liberdade. O caminho alternativo ao destino irrefutável. O convidado mais aguardado. E então, quando a casa estiver cheia novamente, estaremos enfim inteiros, para ficar até a festa acabar.

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