Sexta poesia

Toda sexta-feira, ofereço poemas, poesias, crônicas ou uma pequena dose literária para resgatar nossa alma de tanta realidade. Hoje é a minha vez.

Agora

Viraram a ampulheta, menina. E agora sou poema machucado diante de seus olhos.

Somos cabines opostas de um mesmo teleférico. Teus sonhos, de tão leves, te fazem subir. Enquanto deslizo vagarosamente noutra direção, apenas com o peso que trago no olhar.

A vida ainda é longa para quem vai, e o caminho te diverte. Aceno em sua direção e você abre um sorriso largo. Sorrio em resposta, desejando que os calos que carrego nas mãos não te doam. Que o vento continue soprando leve o seu rosto durante nosso passeio.

Você gruda o nariz no vidro. Arma os olhos mais brilhantes que já vi. E me observa.

Repara em cada canto amassado que colore minha face, sem entender as histórias escritas ao bater de uma máquina. Devagar, passa seus pequenos dedos em seu próprio rosto e o sente liso, como uma folha em branco. Então te conto sobre cada linha, histórias que foram minhas e agora serão nossas.

Você repete as sílabas finais de cada frase, como quem decora um soneto. Eu enriqueço de detalhes enredos que pouco lembro, mas sei como gostaria que tivessem sido.

Somos o mais bonito jogral que aquela sala de estar já testemunhou. Você ri de minhas novas versões para velhas histórias, se orgulha do que nunca fui, e me lembra que o agora é que importa.

É verdade, menina. Foi só o agora que me transformou no herói que sempre quis ser, assim, diante dos seus olhos.

Bia Dourado

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